Inspetor D.Lucas

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Sou motociclista, sempre fui e não lembro o dia que não tenha andado de moto ou que não tenha pensado nela. Motocicleta é mais que um meio de transporte, é um prazer.

O acidente, a moto e os excessos

20 de Abril de 2013

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ENCONTRODEMOTOS.com

O acidente é algo que muitas das vezes poderia ser evitado. Quem já se envolveu em acidente com motocicleta sabe o quanto é dolorido. No mínimo, serão quatro meses para se recuperar do trauma.

Estatísticas apontam que 80% dos acidentes não precisavam ter ocorrido e isso testemunhamos todas as vezes que presenciamos acidentes com motos, pois, ao chegar ao local do sinistro, descobrimos que aquela ultrapassagem não poderia e não deveria ter sido realizada. O tempo da ultrapassagem deveria ter sido calculado. A potência da moto, somada ao tamanho do comboio a ser ultrapassado, foi mal calculado terminando em mais uma tragédia.

Hoje, lendo o jornal, deparei-me com a notícia da morte de um casal de motociclistas em Brasília. Li a matéria na íntegra. Ela dizia que o motociclista trafegava no acostamento e tentou fazer uma curva, batendo na carroceria do caminhão. O motorista disse que a moto vinha na contra mão de direção, pelo acostamento (para cortar caminho), e, quando apareceu uma curva, não conseguiu fazer, colidindo transversalmente na carroceria do seu caminhão, ficando destroçada. O casal veio a óbito no local.

Imaginem a irresponsabilidade do motociclista, transportando garupa, fazendo acostamento na contra mão de direção, em uma curva. São todos os ingredientes de um acidente gravíssimo.

Quem nunca cometeu uma imprudência que fez parar a moto no acostamento e pensar sobre o fato ocorrido? Claro que situações de risco ocorrem, e todos os dias. Quando tiramos nossas motos da garagem e adentramos ao trânsito, sentimo-nos desprotegidos com os ataques dos motoristas que não respeitam os motociclistas, e, pelo lado dos motociclistas, existem os impacientes que atacam os motoristas. Nesse caso, quem perde é o motociclista pelo pequeno porte.

Mas há também motociclistas que não respeitam a sinalização de trânsito, o (CTB) Código de Trânsito Brasileiro, e se aventuram nas estradas a 299km/h, contando com a proteção divina.

Há poucos meses, deparei-me com uma cena dantesca. Uma moto esportiva quebrada no acostamento, depois de deslizar pelo asfalto após uma queda de seu condutor a mais de 280 km/h na Br 060, que liga Brasília/ Goiânia, na apelidada pista Brasília/Jerivá. O motociclista teve seu corpo partido ao meio, literalmente ao meio e nem a roupa especial salvou o motociclista. Imagine a velocidade que ele estava. O mais interessante foi ver a reação dos amigos em outras possantes motos, reclamando do guarda rail que seria o culpado pela morte do jovem motociclista. Como podem colocar a culpa na estrada, na curva ou mesmo no guarda rail, se estão a mais de 200km/h? O risco é assumido. Quem anda de moto esportiva, e se aventura a andar a esta velocidade, assume o risco de todos os tipos de acidentes. E, se pensam que estão “abafando”, dando um show, estão enganados. Todos da sociedade têm repulsa deste ato. 

Em um encontro de motos na cidade de Abadiânia, presenciei um grupo de motociclistas da cidade de Anápolis-GO com motos esportivas. Eles participaram do evento motociclístico e, na saída, encenaram uma total falta de respeito com os motociclistas, com os organizadores, com as autoridades presentes e com eles mesmos. Aceleravam suas possantes máquinas em cima do gramado, queimaram a grama com marcas pretas de pneu, e saíram achando que estavam abafando. Um motociclista gordo, bem gordo, em uma moto esportiva, era o líder. Imitava gestos de maestro enquanto seus “músicos” aceleravam o motor em alto giro. Ele teve sua placa anotada e, no próximo comando, será fiscalizado como deveria ser. 

Esses são atos de pessoas irresponsáveis. São pessoas de todas as categorias da sociedade, jovens na faixa de 20 a 40 anos de idade, que deveriam respeitar as leis e não colocar em risco toda uma sociedade em prol de uma adrenalina. Quando se toca neste assunto, geralmente a polêmica é gerada, porém não podemos generalizar, mas quem assume a pilotagem de uma moto esportiva, não consegue andar na velocidade limite da pista, isso é uma realidade.

Todos somos motociclistas, independente da cilindrada de sua moto. Somos uma família e, como tal, ficamos sentidos quando perdemos um de nossos entes. Vamos ter mais responsabilidade, deveríamos ficar unidos, elaborar leis para melhorar nosso deslocamento no dia a dia da cidade e nas estradas. Somos pessoas que gostam de motocicleta, mas devemos entender que muita gente ainda não conhece e entende o nosso estilo de vida.

Devemos fazer nossa parte no trânsito. Segurança é tudo!