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Sou motociclista, sempre fui e não lembro o dia que não tenha andado de moto ou que não tenha pensado nela. Motocicleta é mais que um meio de transporte, é um prazer.

O motociclista, o motorista, a mudança de faixa e o acidente

14 de de 2013

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Inspetor D. Lucas

Todas as vezes que adentramos a via com nossas motocicletas, deparamos-nos com motoristas, e mesmo motociclistas, que, devido a falta de atenção, colocam- nos em situações que, muitas vezes, transformam-se em acidentes com sequelas, em sua maioria, irreversíveis. A troca de faixa sem a devida atenção pelo motorista e o corredor de trânsito praticado pelos motociclistas aumentam as estatísticas de acidentes em vias públicas.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) diz: “age com culpa o motorista que, trafegando pela direita, em pista dupla, inicia mudança de faixa, impedindo a passagem do veículo que nela se desloca, forçando o mesmo a reduzir bruscamente a velocidade”.

A troca de faixa realizada pelo motorista tem de ser feita com muita atenção porque, atualmente, é previsível que um motociclista esteja no corredor entre os carros.

Novamente, aparece a dúvida dos motoristas e, até mesmo, entre os motociclistas: pode o motociclista utilizar o corredor de trânsito entre os veículos?

Antes do novo CTB, o artigo 56 do Código proibia o condutor de motocicletas de trafegar entre as faixas e, ainda, entre a calçada e o veículo ocupando a faixa à direita. No entanto, o artigo foi vetado quando promulgado o novo Código de Trânsito Brasileiro, em 1998. Razões do veto: “ao proibir o condutor de motocicletas e motonetas a passagem entre veículos de filas adjacentes, o dispositivo restringe sobremaneira a utilização desse tipo de veículo que, em todo o mundo, é largamente utilizado como forma de garantir maior agilidade de deslocamento”. 

Como as motocicletas seguem as mesmas regras de todos os outros veículos, elas devem sempre circular na faixa da direita. No entanto, uma regulamentação mais bem definida facilitaria o trabalho de todos envolvidos no sistema trânsito. Pois bem, enquanto não se aprova uma lei mais precisa com relação aos procedimentos viários de motociclos, para todos os efeitos, prevalece o que existe prescrito em lei. 

Se não existe uma lei que proíbe a circulação no corredor entre os carros, o ato não é proibido, mas o motociclista pode ser notificado, de acordo com os seguintes artigos do código (CTB): art. 192, que considera infração “deixar de guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu veículo e os demais, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade, as condições climáticas do local, da circulação e do veículo”; o artigo 199 (CTB), que define como infração a ultrapassagem pela direita; e o 211, que proíbe “ultrapassar veículos em fila, parados em razão de sinal luminoso, cancela, bloqueio viário parcial ou qualquer outro obstáculo, com exceção dos veículos não motorizados”.

Resumindo, o corredor não é proibido, mas você pode ser notificado em três artigos do CTB.

O motorista tem de respeitar o motociclista, mas o motociclista tem de ter mais responsabilidade para evitar o acidente. Atitudes simples podem evitar estes imprevistos, como o cuidado ao mudar de direção ou faixas, mantenha sempre uma distancia de segurança de sua moto quanto a traseira, lateral e dianteira de outro veículo, sinalize sempre suas intenções com as luzes indicadores de direção (setas) ou utilizando a sinalização adequada ao momento. Lembre-se a moto é mais frágil que qualquer um dos carros no trânsito, por isso, não se arrisque, só mude de faixa quando tiver certeza.

Em todos os acidentes de moto com automóvel, os motoristas alegam que a moto surgiu do nada, apareceu de repente e isso é causado porque o motociclista não se posiciona na visão do motorista. O ponto cego em que o motociclista se coloca ajuda para que o sinistro ocorra. O motociclista tem de utilizar retrovisor, colocar o espelho no ângulo onde possa ver atrás e, quando necessário, não custa dar aquela olhadinha rápida, mas tem de ser bem sutil, porque aquele segundo em que o motociclista tira os olhos da pista pode ser fatal. Após as manobras, agradeça com simples gestos ao condutor, pois como diz o ditado, gentileza gera gentileza e a relação de cordialidade entre motorista e motociclista tem de ser incentivada.

Lembre-se que a segurança do motociclista é ativa e depende exclusivamente de seu comando. Esteja sempre atento, bem equipado e tenha o tempo certo para realizar a ultrapassagem ou mudar de faixa. Olhe e previna a intenção do motorista, aquela roda meio virada indica a intenção da mudança de faixa.

O que está acontecendo atualmente é o acidente que ocorre porque o motorista na faixa da direita adentra a da esquerda sem olhar e, no exato momento, o motociclista estava transitando. Este acidente inevitável poderá ser amenizado com a baixa velocidade nos deslocamentos entre os veículos, e o motociclista tem de estar sempre atento a uma saída de emergência, uma manobra que possa evitar que a falta de atenção do motorista venha a causar um grave acidente.

Nunca se desligue. A atenção sempre é primordial. Como já escrevi em outro texto: Acabou o romantismo da motocicleta.

Fotos: Divulgação