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Sou motociclista, sempre fui e não lembro o dia que não tenha andado de moto ou que não tenha pensado nela. Motocicleta é mais que um meio de transporte, é um prazer.

A moto, trânsito e as leis

08 de Outubro de 2013

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Inspetor D.Lucas

O Brasil precisa saber que existe um mundo de duas rodas que precisa ser respeitado e ter uma legislação específica.

Ao realizar um deslocamento com motocicletas, em qualquer cidade do país, estamos predestinados a um acidente, e esta é a realidade de nosso trânsito.

A motocicleta, no CTB (Código de Trânsito Brasileiro), é considerada um “veículo” bi-trem, assim como um caminhão, e tem de se portar e agir como tal, obedecendo a normas que foram feitas para veículos de quatro rodas.

Na prioridade, a motocicleta, por ser um veículo menor, deveria ter a preferência no trânsito, logo após a bicicleta e o pedestre, que tem total preferência. Entretanto, isso não está ocorrendo. O que tem acontecido é que o motociclista, por falta de conhecimento das leis de trânsito, trafega com total falta de responsabilidade, colocando em risco a sua vida e a dos outros condutores. Por sua vez, o motorista dirige agredindo o motociclista e, com isso, cria uma “guerra” no trânsito, na qual o veículo de menor porte sempre leva desvantagem.

As motos são as únicas que conseguem driblar o caos das grandes cidades, podendo oferecer maior praticidade para quem deseja executar um trajeto de forma mais rápida e eficiente, sendo este um dos motivos do aumento significativo nas vendas de motocicletas em nosso país, nos últimos anos. Apesar de todos esses benefícios, as motos não são 100% seguras, principalmente, se elas forem conduzidas imprudentemente.

Para você ter uma ideia, um motociclista é morto todos os dias no trânsito nas grandes cidades. Isso é resultado da irresponsabilidade tanto dos próprios motociclistas como dos motoristas, que não os têm na visão e, também, pela falta de estrutura para receber um grande fluxo de veículos.

O povo está à procura de um transporte mais ágil, capaz de livrá-lo do congestionamento, e isso criou um novo problema social que precisa ser debatido: o acidente com motos. O que normalmente ocorre com o arrimo de muitas famílias, que perde a vida porque, calculando, descobriu que pagar a prestação da motocicleta seria mais barato e mais rápido do que andar de ônibus. Com esta ideia, ele entra em uma autoescola e se habilita para pilotar uma moto sem a devida preparação para enfrentar o nosso trânsito, já que, na ânsia em fazer dinheiro, esses estabelecimentos ensinam o básico do básico e o motociclista habilitado de qualquer maneira não sabe como evitar acidentes. Por isso, os índices aumentam.

Já vai longe o tempo em que a motocicleta era usada somente para o lazer, para o final de semana, quando os carros davam passagem e os motociclistas eram preparados para pilotar e controlar tal veículo. Com o passar dos anos, a motocicleta passou a ser usada como um meio de transporte rápido e "econômico" e, em consequência disto, passou a ter grande utilidade na sociedade. Além disso, as fábricas inovam a cada ano e as motocicletas se tornaram máquinas de velocidade, de adrenalina, ocorrendo, com isso, mais óbitos. As montadoras têm culpa neste circuito, pois deveriam preparar os condutores para pilotar suas possantes máquinas, mas isso não ocorre e não há previsão de vir a ocorrer.

A igualdade social que a motocicleta proporciona é outro incentivo a seu uso e faz com que a procura aumente todos os dias. Além dos órgãos de segurança pública, com seus preparados motociclistas batedores de autoridade e suas máquinas, os correios, as farmácias, as pizzarias e uma infinidade de instituições de serviços ao povo passaram a se utilizar deste ágil e prático veículo.

Jovens e adolescentes que sempre foram fascinados pelo desafio do equilíbrio sobre suas duas rodas, pela sua beleza, sua tecnologia avançada, e até, por que não dizer, pelo seu mundo, que é envolvente e particular, onde não existem discriminações e a solidariedade é a regra. Um motociclista, em grupo ou sozinho, iguala-se a todos na sociedade, em uma harmonia difícil de ser encontrada nos dias atuais, independentemente de idade, sexo, condição social e, até mesmo, de nacionalidade. Cada vez mais, a motocicleta tem seu lugar em nossa vida, independentemente de ser patrão ou empregado.

Precisamos acabar com as denominações, segregações e títulos para os motociclistas, precisamos estar e permanecer unidos em prol de uma legislação pautada nos benefícios e segurança dos motociclistas. No CTB, somente o artigo 244 trata da motocicleta e as resoluções estão somente tratando de assuntos que, muitas vezes, nada têm a ver com o verdadeiro motociclista e suas necessidades, como o tal de AIR BAG para motociclista, ou a placa das motos nos capacetes. Nada disso trará nenhum benefício para o motociclista, independentemente da cilindrada. Precisamos de uma legislação específica. Já passou da hora do motociclista ser consultado, tratar do assunto, dar sua opinião e fazer uma legislação que aumente a segurança dos que gostam de motos e para a segurança de quem está no trânsito e na moto, ou seja, deveriam consultar quem entende de motos: o motociclista.