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Sou motociclista, sempre fui e não lembro o dia que não tenha andado de moto ou que não tenha pensado nela. Motocicleta é mais que um meio de transporte, é um prazer.

Acabou o romantismo da motocicleta

25 de Maio de 2012

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D. Lucas

Sou motociclista, sempre fui e não lembro o dia que não tenha andado de moto ou que não tenha pensado nela. Motocicleta é mais que um meio de transporte, é um prazer.
 

Ela transmite sensações únicas, é uma máquina que apaixona, e tenho sorte de trabalhar com motocicletas na minha corporação Polícia Rodoviária Federal (PRF), onde sou inspetor de polícia e batedor de autoridades e designatórios, tendo já trabalhado com todas as marcas e modelos de motocicletas, mais especificamente a Harley-Davidson police em muitas escoltas por todo o país.
 

Na vida civil vivo no meio motociclístico, participo de Motoclube e meus amigos são motociclistas. Ministro palestras para motociclistas de todas as cilindradas. Estou lançando um livro, em julho sobre motocicletas intitulado “Motos na Estrada”, onde vou passar técnicas de sinalização de segurança durante deslocamentos e a diferença entre motociclista e motoqueiro. Por isso posso falar o que sinto sobre motocicletas e motociclistas e acho que acabou o romantismo da motocicleta, pois percebo que aquele sentimento romântico que estava associado à motocicleta desapareceu.
 

A motocicleta sempre foi um meio de transporte perigoso, mas ultimamente ela está se transformando em uma máquina de acidentes e mortes. Quem não viveu seu próprio acidente, conhece alguém que se acidentou violentamente.
 

Aqui em Brasília, em todos os Encontros realizados em outras cidades, temos notícias que alguém se acidentou com motocicleta na ida ou retorno dos Encontros. Morrinhos, Formosa, Goianésia entre outros são exemplos de acidentes com óbitos nas estradas.
 

Você saberia me disser quantos motociclistas vieram a óbito em 2012 só na sua cidade?
 

Pessoas estão se ferindo por causa da alta velocidade e aqui entram os que compram motocicleta para sentir a adrenalina, que muitas vezes mata pelo puro prazer de fazer o menor tempo entre um ponto e outro. Para quê?  Por quê? Não entendo!
 

Os famosos “jaspeiros” ou “199” (já que pilotam a 199 km/h) estão  envolvendo-se cada vez mais em acidentes e quando é esportiva nem precisa perícia para saber o motivo do óbito, pois a alta velocidade é visível na mutilação do corpo, na violência do acidente, pessoas que somente queriam adrenalina e encontraram a morte.
 

Claro que os acidentes podem ocorrer com qualquer pessoa e marca de moto, mês passado perdemos um grande amigo retornando do Paraná para Brasília de Boulervard 1.500cc custom, provando que pode acontecer com qualquer pessoa.
 

A PRF precisou realizou uma blitz na Br 060 sentido Goiânia/Brasília, direcionada aos jaspeiros, pois os motociclistas estavam se acidentando a mais de 250km/h. Na ocasião, foram notificados mais de 80 motos esportivas, retidas mais de 50 para regularização e 13 ficaram presas e encaminhadas ao depósito e dentro da lei os proprietários provávelmente irão ter a perda das motos. Agora a história  migrou para a cidade, frequentadores do Encontro de quarta-feira em um shopping de Brasília no Guará, estão ameaçados novamente pela alta velocidade que as motos esportivas estão imprimindo na hora do retorno, acelerando e incomodando moradores da região, e com certeza brevemente todos seremos fiscalizados por causa de meia dúzia de irresponsáveis.
 

Acabou o romantismo da motocicleta, os tempos são outros!  O poder aquisitivo do brasileiro aumentou, somada a ousadia, a adrenalina e a irresponsabilidade de alguns colocando uma categoria em um lugar comum.
 

Temos de ter muito cuidado ao pilotar hoje em dia. Os tempos são outros. Acabou o romantismo da motocicleta.